sábado, 23 de abril de 2011

Conhecendo a Bahia - História

A história da Bahia se confunde com a própria história do país. Em Porto Seguro, no Extremo Sul da Bahia, no ano de 1500, o Brasil foi descoberto com a chegada dos portugueses e a celebração da primeira missa, em Coroa Vermelha, por frei Henrique Soares de Coimbra. Nesses cinco séculos de muitas histórias, a Bahia foi palco de invasões, como a Holandesa, das guerras pela Independência, e de conflitos e revoltas, como a Sabinada e a dos Malês.
No século XVI, a Bahia foi movida pela economia do pau-brasil e da cana-de-açúcar, seguida pelo ciclo do ouro e do diamante. A fase áurea da cana-de-açúcar, inclusive, proporcionou o surgimento da nobreza colonial, provocando um aumento populacional e também financeiro, principalmente na capital, o que pode ser comprovado pelas construções das principais igrejas da cidade, como a de São Francisco, a igreja de ouro, a venerável Ordem Terceira de São Francisco, com fachada em barroco espanhol, e a Catedral Basílica, onde está o túmulo de Mem de Sá, o terceiro governador-geral do Brasil, e a cela onde morreu o padre Antônio Vieira.

Descobrimento do Brasil

   O descobrimento do Brasil foi resultado da expansão colonialista europeia. No ano de 1500, em março, uma esquadra portuguesa comandada pelo fidalgo Pedro Álvares Cabral, viajando para a Índia, desviou-se de sua rota. Seguindo sinais de terra próxima, no entardecer do dia 22 de abril, atingiu um ponto do litoral sul do atual estado da Bahia. Em 24 de abril, as esquadras comandadas por Cabral velejaram à procura de um melhor porto para ancorar seus navios. Encontraram um “muito bom e seguro” no local denominado hoje de Baía Cabrália.
   A primeira missa foi celebrada no dia 26, num domingo, pelo frei Henrique Soares Coimbra, franciscano que ia para a Índia, no ilhéu Coroa Vermelha. No dia seguinte, foi cortada a primeira madeira com que se fez uma cruz para ser celebrada a segunda missa, em 1º de maio. No mesmo dia, Cabral partia para Índia, enquanto outro fidalgo, Gaspar de Lemos, seguia para Lisboa, levando a noticia do descobrimento para o rei de Portugal, Dom Manuel I. Na terra, chamada por Cabral de Vera Cruz, ficaram dois homens para se entender com os nativos.
    Em 1501, os portugueses organizaram uma nova expedição, desta vez de reconhecimento à terra descoberta no ano anterior. Pilotada pelo navegador florentino Américo Vespúcio, a esquadra portuguesa chega em 1º de novembro a um grande golfo, a Baía de Todos-os-Santos. Dessa  viagem,  Vespúcio somente deu noticias pormenorizadas em 1504.

Povoamento


   O vasto território da Bahia foi lentamente povoado com contribuição de três grupos humanos: o índio (nativo), o negro (africano) e o branco (europeu). O índio já se encontrava aqui.O africano e o europeu foram trazidos para as atividades de colonização. Talvez seja exatamente esta mistura de raças, tão peculiar à Bahia, que provocou o misticismo que caracteriza o estado.
    A miscigenação das raças deu origem aos mestiços. Do africano e português surgiu o mulato. Do índio com o português, o mameluco ou caboclo, e do africano com o índio, o cafuzo. Ainda assim, cada um desses três grupos deixou colorido próprio na formação baiana, contribuindo principalmente na cultura da terra, que é muito rica de componentes desses três elementos.

Capitanias hereditárias

A Bahia foi descoberta no período em que o comércio com os portos índicos era bastante compensador para Portugal. Desta forma, o Reino não tinha motivos para dedicar muita atenção a sua nova colônia. Somente depois de atravessar uma grave crise financeira e verificar incursões dos franceses no litoral brasileiro é que os portugueses sentiram a necessidade de tomar posse da nova terra. Aconselhado, D. João III decidiu dividir a colônia, doando-a sob forma de capitanias hereditárias. No território da Bahia foram doadas cinco: Capitania da Bahia de Todos os Santos, a Francisco Pereira Coutinho; de Porto Seguro, a Pero de Campos Tourinho; de Ilhéus, a Jorge de Figueiredo Correia; de Itaparica, ao 1º Conde de Castanheira, Dom Antônio de Athaíde; e a do Recôncavo, a Álvaro da Costa.
    Com a necessidade de se criar um centro político e administrativo capaz de congregar todas as capitanias, foi instituído, em 1549, o governo geral. Assim, em 29 de março, aportou na Baía de Todos- os- Santos o primeiro governador-geral, o fidalgo português Tomé de Sousa. Além de colonos e subalternos da Coroa, Tomé de Sousa conduzia os seis primeiros religiosos da Companhia de Jesus, chefiados pelo padre Manoel da Nobrega.  Logo depois foi criado o primeiro bispado da colônia, ocupado por dom Pero Fernandes Sardinha.
    Em 1553, chega, para substituir Tomé de Sousa, Duarte da Costa. Ele trouxe em sua comitiva mais alguns jesuitas, dentre eles José de Anchieta. Mem de Sá substituiu Duarte da Costa. Seu governo foi marcado pela harmonia com a Igreja, ao contrário do seu antecessor. Até a invasão holandesa, mais 12 portugueses governaram o Brasil, cuja sede era a Bahia.

Invasão holandesa

   Depois de se desligar do domínio espanhol, a Holanda necessitava de colônias ou de produtos das colônias tropicais para sobreviver. A Bahia foi escolhida para a primeira grande invasão. Era então  governador-geral da colônia D. Diogo Mendonça Furtado. Preocupado com o despreparo bélico do Brasil, Mendonça Furtado entrou em choque com a Igreja, que não via necessidade de preocupações militares. Mesmo assim, os holandeses não tiveram muitos problemas para tomar a cidade.
    Em 09 de maio de 1624, a esquadra holandesa, sob o comando de Jacob Willekens, aportou no Farol da Barra. Após alvejar os canhões da Ponta do Padrão, os 3.400 homens que compunham a esquadra holandesa não levaram muito tempo para render o governador-geral, que foi aprisionado na chamada Casa dos Governadores. A permanência dos holandeses em terras baianas, no entanto, foi curta. Em 27 de março de 1625, a esquadra de reforço portuguesa, comandada pelo espanhol D. Fradique de Toledo Osório, chegou a terras baianas. Foram mais de 40 dias de batalha e, em 1º de maio, houve a primeira rendição.
    Outras tentativas de invasão dos holandeses foram registradas na Bahia, mas nenhuma delas foi bem sucedida. A Bahia ficou como o centro da luta pela expulsão dos holandeses, que chegaram a ocupar Pernambuco, Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Conjuração dos Alfaiates

    No fim do século XVIII, a Bahia era um dos principais núcleos coloniais do Brasil, com sua economia voltada para o mercado exterior e toda baseada no trabalho escravo. Os reflexos da vitoriosa Revolução Francesa chegavam à Bahia e os livros de Voltaire, Montesquieu e Rosseau, que estavam proibidos por leis severíssimas, colocavam em evidência as novas ideias de estado republicano e democrático, baseado na maioria da Nação, com respeito às liberdades humanas e princípio de igualdade de todas as pessoas perante a lei.
    Ao redor desses ideais revolucionários formou-se um grupo de baianos que pensava na fundação de uma república representativa, onde os líderes do povo seriam eleitos e sob a qual existiria a igualdade. Esses revolucionários baianos de 1798, como os de Minas Gerais, de 1789, ainda estavam em fase de conversas, quando foram descobertos. Editaram apenas dois boletins. Foram presos e condenados à morte.

Abertura dos portos


Pressionados pela França e Inglaterra, que brigavam entre si e disputavam o apoio de Portugal, o príncipe regente D. João transferiu a sede do governo lusitano para o Brasil. Em 22 de janeiro de 1808, D. João desembarcava na Bahia com a família real, depois de uma tempestade que obrigou parte da esquadra a desviar sua rota original. Junto com as comemorações da cidade para homenagear a família real, homens de comércio e senhores de engenho solicitaram do então príncipe regente a abertura do porto da Bahia para a entrada de navios de outras nações. Ainda na Bahia, D. João, atendendo ao pedido do médico José Correia Picanço, concordou com a criação de uma Escola de Cirurgia, que originou a famosa Faculdade de Medicina da Bahia.

Independência


    Os movimentos de insatisfação com a condição de colônia e reino que o Brasil mantinha ao longo de sua história começaram a ser deflagrados em 1817. Mesmo com a brutal repressão ao movimento de Conjuração dos Alfaiates e com a chamada Revolução de 1817, uma nova onda revolucionária surgia em Portugal, e, em 1821, a revolução constitucionalista chegava ao Brasil. Dela resultou a decisão de incluir deputados brasileiros para representar a colônia nas discussões da futura Carta Constitucional. Foram eleitos no dia 03 de setembro de 1821 quatro baianos: José Lino Coutinho, Cipriano Barata, Domingos Borges de Barros e o padre Francisco Agostinho Gomes.
    Ainda assim, as insatisfações com a condição de colônia não sanaram e levaram o príncipe regente D. Pedro a negar obediência à Corte de Lisboa em janeiro de 1822, tornando-se assim ponto de apoio e união para o movimento pela independência. Porém, para controlar e dominar toda a região, o príncipe regente substituiu oficiais brasileiros por portugueses no comando das Armas. Para a Bahia foi designado o brigadeiro Inácio Madeira de Melo. Apontando incorreções no decreto de nomeação do brigadeiro, a Câmara recusou-o, negando-se dar posse ao novo comandante. A partir daí, houve choque entre portugueses e brasileiros. Os soldados lusos tomaram a cidade e praticaram muitos absurdos, como a invasão do Convento da Lapa, ocasião em que assassinaram a madre Joana Angélica, que defendeu a porta da clausura.
    Os baianos não aceitaram a perda da cidade, e começou então um período de intensa guerrilha urbana, culminando com um grande cerco a Salvador, no dia 02 de julho, data em que se comemora a Independência da Bahia.

Império

    Depois da Independência, uma nova divisão administrativa no Brasil deu à Bahia categoria de província do Império. Passava então a ser governada por um presidente nomeado. Alguns setores da opinião pública, no entanto, não escondiam o desagrado e a decepção que sentiram com o regime monárquico centralizador, instaurado após a Independência. Com isso, muitas manifestações foram registradas, a exemplo da chamada “Mata Maroto”. Ao saber da renúncia de D. Pedro I, a população passou a exigir também a expulsão dos portugueses. Os movimentos federalistas se expandiram e forçaram a adoção do Ato Adicional de 1834, que permitia maior autonomia às províncias. Outra manifestação que indica a instabilidade geral desse período foi a Cemiterada, que constituiu na quase destruição de um cemitério, onde hoje está o Campo Santo.
    Esperava-se que o fim da monarquia só ocorresse após a morte de D. Pedro II, venerado como “sábio e homem bom”. Mas no conjunto de repetidas crises militares, os dois partidos, o Liberal e o Conservador, não conseguiram soluções para os problemas criados com o esfacelamento do sistema escravocrata. Precipita-se, então, o movimento republicano, e de 15 para 16 de novembro de 1889 foi proclamada a República dos Estados Unidos do Brasil, com total adesão da Bahia.

Fonte: Governo da Bahia

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Jornal O Globo - Cultura: Uma obra de Jorge Amado na TV

Tenda dos Milagres (Rede Globo, 1985)

(Nelson Xavier, Milton Gonçalves, Chica Xavier, Tony Tornado)

A minissérie “Tenda dos Milagres”, de Aguinaldo Silva e Regina Braga, baseada na obra homônima de Jorge Amado, foi exibida pela Rede Globo em 1985, às 22h30m. Na direção dos 30 capítulos estiveram Paulo Afonso Grisolli, Maurício Farias e Ignácio Coqueiro. 

A minissérie, ambientada na Bahia, fala sobre preconceito racial e amor. Dividida em duas épocas distintas, 1910 e 1930, o fio condutor da história é a missão de Pedro Arcanjo (Nelson Xavier) em defender a cultura africana e integrá-la à sociedade. 

A trama começa em 1930, quando o velho ogã Pedro Arcanjo passa mal enquanto toma sua cachaça num bar. Nesse momento, as rádios transmitem a iminente derrota do III Reich. Desmaiado, Pedro Arcanjo é levado às pressas para a casa de Cesarina (Ângela Leal), onde, à beira da morte, relembra aventuras, festas, amores e, principalmente, sua missão de manter vivas na Bahia as culturas negra e mestiça. >A caminhada é penosa, e Pedro Arcanjo, com fortes dores no peito, tem visões dos orixás – Oxalá, Xangô, Oxóssi, Ogum, Iansã e Omulu. 

A minissérie volta, então, para 1913. A narrativa se desenrola a partir dessas lembranças de Pedro Arcanjo. Nessa época, os negros na Bahia, discriminados e perseguidos, se organizavam para defender seus direitos e preservar sua cultura. 

Acompanhamos as relações do protagonista com as mães e os pais de santo, com as prostitutas da cidade, com os mestres de capoeira, com negros, negras e mestiços que vivem em Salvador. Entre os personagens importantes na narrativa está Magé Bassã (Chica Xavier), a mãe de santo que revela a Pedro Arcanjo sua missão de ser “a luz de seu povo”, aquele que irá preservar e difundir a cultura negra. 

Junto com seu pai, Xangô, mãe Magé Bassã guia o protagonista em sua missão. 

O principal antagonista de Pedro Arcanjo é Nilo Argolo (Oswaldo Loureiro), um influente médico legista, racista, que tenta comprovar através de pesquisas científicas a superioridade da raça branca. 

Ardiloso e cruel, Nilo ofende e maltrata todos os negros que cruzam seu caminho. Com a ajuda do também inescrupuloso delegado Francisco Mata Negros (Francisco Milani), como é conhecido, ele arma as maiores confusões pela cidade, impedindo de todas as formas que os negros usufruam de seus direitos e vivam em paz como qualquer cidadão. Até as manifestações de rua no Carnaval são mal vistas pelo delegado, que faz o possível para proibi-las. 

Depois de 14 capítulos, a história volta para 1930, onde se desenrola até o final. Outro personagem importante na trajetória de Pedro Arcanjo é seu fiel amigo e companheiro Lídio Corró (Milton Gonçalves). 

A relação entre os dois fica estremecida quando a bela Rosa de Oxalá (Dudu Moraes), esposa de Lídio, se apaixona por Arcanjo, e ele se envolve com ela. Outra mulher que cruza o caminho de Pedro Arcanjo é a bela Ana Mercedes (Tânia Alves), uma jornalista, consciente da discriminação da comunidade negra, que luta para mudar esse quadro. Ela decide fundar um jornal especialmente para difundir suas ideias, o Tenda dos Milagres. Ao longo da história, Pedro Arcanjo acaba se envolvendo também com Ana Mercedes, um grande amor em sua vida.
O romance proibido de Budião (Antônio Pompeo) e Sabina (Solange Couto) também movimenta a trama da minissérie. Eles não podem ficar juntos pela incompatibilidade entre seus santos. Já Damião (Joel Silva) e Luísa (Júlia Lemmertz), a filha de Nilo Argolo, enfrentam os preconceitos da sociedade por ela, branca, ser namorada de um negro. Além da oposição do pai, Luísa é duramente criticada pelo irmão, Astério (Daniel Dantas), um jovem extremamente preconceituoso. 

Ao longo da história, Pedro Arcanjo entra para a faculdade de medicina e acaba descobrindo, ironicamente, que é primo de Nilo Argolo. Este, por sua vez, nega o parentesco de todas as formas e consegue convencer os professores e diretores do curso de medicina a expulsarem Pedro Arcanjo da faculdade. Os alunos se revoltam e uma grande confusão toma conta das ruas próximas ao Pelourinho. 

Pedro Arcanjo é preso, e Lídio Corró morre, após levar um tiro de um policial. Durante o conflito, Ana Mercedes também é presa. Com as prisões, o mandante da operação, delegado Sarmento (Ivan Cândido), pretende enfraquecer o movimento negro, mas a população está mais revoltada do que nunca. 

Com a ajuda de Jerônimo (Cláudio Marzo), João Reis (Mário Lago) e do professor Fraga Neto (Gracindo Junior), homens influentes e simpatizantes ao movimento negro, o delegado Sarmento se convence de que é melhor libertar Pedro e Ana, caso contrário, haverá uma guerra urbana. 

Pedro sai da prisão e é aclamado pelo povo. Nesse momento, nas cenas finais da minissérie, a história volta para o primeiro capítulo, onde o grande líder agoniza. Ele morre, mas sua missão fora cumprida. A cultura mestiça que ele tanto defendeu acabou prevalecendo não só na Bahia, como em todo o Brasil.
Seu principal rival, professor Argolo, sofre um derrame cerebral ao saber do casamento da filha com Damião e, com graves sequelas, acaba inválido, preso a uma cama. 

Curiosidades: 

- O livro de Jorge Amado já havia sido adaptado para o cinema, em 1977, com direção de Nelson Pereira dos Santos. 

- Embora Jorge Amado fosse um dos autores brasileiros mais vendidos, “Tenda dos Milagres” era até então uma obra pouco lida. Em agosto de 1985, enquanto a produção da Rede Globo era exibida, a venda do livro aumentou cerca de dez vezes em comparação à média dos meses anteriores. 

- Jorge Amado é o autor mais adaptado para a televisão. Na TV Globo, além de “Tenda dos Milagres”, foram adaptados “Gabriela”, “Terras do Sem Fim”, “Tieta”, “Tereza Batista”, “Dona Flor e seus Dois Maridos”, “Pastores da Noite”, “Mar Morto” e “A Descoberta da América pelos Turcos” (os dois últimos na novela “Porto dos Milagres”). Ainda falta a Globo fazer uma minissérie do livro “Capitães da Areia”, seria muito interessante. 

- A trilha sonora da minissérie, produzida por Guto Graça Mello, incluiu dez canções inéditas de Caetano Veloso, Dorival Caymmi, Walter Queiroz, Moraes Moreira, Jorge Portugal e Naná Vasconcelos, além de cantos próprios dos cultos aos orixás. Milagres do Povo, com letra, música e interpretação de Caetano Veloso, foi o carro-chefe da trilha. As músicas incidentais foram feitas por Dori Caymmi, Sérgio Saraceni e Aluísio Didier. 

Tenda dos Milagres é uma obra que Vale a Pena Ver de Novo. 

Obs.: Todas as informações deste texto e as imagens que o ilustram foram pesquisadas em sites da Internet e no Projeto Memória Globo. 



quarta-feira, 20 de abril de 2011

Festival de cinema presta homenagem a Jorge Amado e Nelson Pereira dos Santos



O cineasta Nelson Pereira dos Santos e o escritor Jorge Amado são os dois grandes homenageados deste ano no 13º Festival de Cinema Brasileiro de Paris, na França. O evento, que ocorre entre 4 e 10 de maio, é uma importante vitrine da produção nacional na Europa, em que são exibidos filmes de vários períodos (documentários e ficções) e a nova safra concorre a prêmios. Na programação paralela, encontros, debates e retrospectivas esmiuçam o audiovisual brasileiro.

Este ano, o festival presta homenagem a dois indivíduos cujo trabalho tem atravessado fronteiras e os anos sem perder a força. Nelson Pereira dos Santos é um dos maiores cineastas do país, trouxe uma série de inovações técnicas e narrativas ao cinema brasileiro. Senhor absoluto da linguagem cinematográfica, ele sabe como poucos explorar a intensidade das histórias de Jorge Amado, que levou para a tela.

Os filmes que são os frutos deste encontro são obras muito pessoais, que revelam um mundo de rara beleza e sensibilidade, sem perder de vista as preocupações sociais e políticas que marcaram a vida desses dois autores brilhantes. A pré-seleção de filmes de Nelson Pereira dos Santos traz Rio Zona Norte (1958), Boca de Ouro (1962), Vidas Secas (1963), Azyllo Muito Louco (1969), Como Era Gostoso o Meu Francês (1970), Memórias do Cárcere (1984) e Bahia de Todos os Santos (1985).

Jorge Amado escreveu cerca de 30 livros, traduzidos em mais de 50 línguas. Vários dos seus romances foram adaptados para o cinema, cujo sucesso Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, é um dos mais bem-sucedidos. A 13ª edição do Festival presta homenagem ao embaixador da literatura brasileira, que morreu há 10 anos, em Salvador (BA). Uma retrospectiva dos quatro filmes de suas obras será apresentado ao público francês, para que eles descubram o melhor deste grande escritor brasileiro no cinema. 

Competição - Este ano cerca de 30 filmes serão oferecidos para o público francês. Entre os que participam da mostra competitiva de ficção estão: Como Esquecer, de Malu De Martino; Chico Xavier, de Daniel Filho; Malu de Bicicleta, de Flávio Ramos Tambellini; 180 Graus, de Eduardo Vaisman; Além da Estrada, de Charly Braun; Os Famosos da Morte e Os Duendes, de Esmir Filho; As Melhores Coisas do Mundo, de Laís Bodansky; e Desenrola, de Rosane Svartman.

Entre os documentários, estão: UPP, de Wagner Novais, Luciano Vidigal, Cadu Barcellos e Rodrigo Felha; O Manuscrito Perdido, de José Barahona; Uma Noite em 67, de Renato Terra, Ricardo Calil; Cortina de Fumaça, de Rodrigo Mac Niven; Memória Cubana, de Alice de Andrade e Iván Nápoles; Terra Deu, Terra Come, de Rodrigo Siqueira; Gisele Omindarewá, de Clarice E. Peixoto; Rio Sonata: Nana Caymmi, de Georges Gachot; Diário de Uma Busca, de Flávia Castro; e Noel Rosa Poeta da Vila e do Povo, de Dacio Malta.

Eventos paralelos - Para apoiar o 13º Festival de Cinema Brasileiro, três outros eventos serão realizados durante o período. Um deles é o Encontro com Nelson Pereira dos Santos, organizado pela União Latina, a Casa da América Latina e da associação Jangada, com a participação de Paulo Antonio Paranaguá, um jornalista do Le Monde, de Marie-Christine Navacelle, ex-comissária do Cinema du Reel, e Lisa Ginzburg, diretora de Cultura da União Latina. 

Haverá ainda uma exposição de fotografias do artista brasileiro Pedro David e o lançamento do livro A Viagem do Cinema Brasileiro da Atlântida para a Cidade de Deus, o Renascimento do Cinema Brasileiro, de Lawrence Desbois (Editions L"Harmattan, Paris).



Fonte: Gazeta Digital

terça-feira, 19 de abril de 2011

2012 poderá ser “Ano Jorge Amado”

O ano de 2012 poderá ser o Ano Nacional Jorge Amado. É o que pretende o Projeto de Lei de autoria do Deputado Federal Márcio Marinho, que institui a data em comemoração ao centenário de nascimento do escritor.
O parlamentar justifica a homenagem em função da grande importância de Jorge Amado para a Bahia e o Brasil, um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos.
“Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho, mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil, e em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa”, ressalta Marinho.
No documento, o parlamentar lembra que Jorge Amado é o autor mais adaptado da televisão brasileira, com sucessos como Tieta, Gabriela e Tereza Batista, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos.
A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão e seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.
“Nosso projeto visa estabelecer o reconhecimento póstumo a este grande escritor brasileiro no ano em que comemoraria cem anos de nascimento”, afirma Marinho.


Fonte: Site Notícia Capital

Imperatriz Leopoldinense vai homenagear a vida e obra do escritor baiano Jorge Amado

 Em reunião acontecida ontem (18/04), com a filha e a neta de Jorge Amado, com a concordância da família, ficou decidido com o carnavalesco Max Lopes, o presidente Luiz Paheco Drumond e a direção da Imperatriz Leopoldinense, que o título do enredo para o carnaval de 2012, será "Jorge, Amado Jorge".

O enredo, anunciado no último dia 8 de abril, abrirá os festejos pelo centenário de nascimento do baiano.

O tema já estava sendo negociado desde antes do Carnaval, quando a diretoria da agremiação foi procurada por um representante da Fundação Casa de Jorge Amado, que tem sede em Salvador.

Para desenvolver a proposta, o carnavalesco Max Lopes terá ajuda dos herdeiros dos direitos da obra do escritor. Autor de clássicos como "Capitães de Areia" e "Gabriela, Cravo e Canela", Jorge Amado é um dos escritores brasileiros mais conhecidos no mundo.

"A Imperatriz escolheu um grande enredo. Trata-se de uma pessoa importantíssima para a cultura brasileira e um grande homem. Enredos que homenageiam grandes figuras sempre dão grandes desfiles", comemorou o carnavalesco Max Lopes em entrevista ao Dia na Folia. Em 2011, a Imperatriz ficou um sexto lugar no desfile do Grupo Especial.

O desfile da Imperatriz vai abrir os festejos do centenário do escritor. O imaginário sexy dos livros de Amado deve render muita alegoria na avenida. Com a anuência dos herdeiros do baiano, a Fundação Casa de Jorge Amado vai disponibilizar todo o seu acervo para as pesquisas. Pense em Tieta, Gabriela, Perpétua, Dona Flor… passistas voluptuosas e suas histórias maravilhosas.

Em tempo: Amado já foi enredo da Império Serrano, em 1989. Mas não levou.

Fonte: O Dia Online e Portal IG

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dia Nacional do livro infantil

Hoje é Dia Nacional do Livro Infantil e, em homenagem a esse dia, aqui estão os livros de Jorge Amado voltados para o público infantil:

O gato malhado e a andorinha Sinhá - 1976
                                                      

O temperamento do Gato Malhado não era nada bom: bastava aparecer no parque para todos fugirem. E ele ia tocando a vida com a indiferença habitual. Até que, chegada a primavera, o Gato nota que a Andorinha Sinhá não tem receio algum dele.
Foi o suficiente para que dali nascesse a amizade dos dois, que se aprofunda com o tempo. No outono, os bichos já viam o
Gato com outros olhos, achando que talvez ele não fosse tão ruim e perigoso, uma vez que passara toda a primavera e o verão sem aprontar. Durante esse tempo, até soneto o Gato escreveu. E confessou à Andorinha: “Se eu não fosse um gato, te pediria para casares comigo”. Mas o amor entre os dois é proibido,não só porque o Gato é visto com desconfiança, mas também porque a Andorinha está prometida ao Rouxinol.
Jorge Amado colheu essa história de amor de uma trova do poeta Estêvão da Escuna, que a costumava recitar no Mercado
das Sete Portas, em Salvador, e a colocou no papel com o tom fabular dos contos infanto-juvenis em 1948, quando vivia em Paris. Não era uma história para ser publicada, mas um presente para o filho, João Jorge, que completava um ano de idade. Guardado entre as coisas do menino, o texto só foi reencontrado em 1976. João Jorge entregou então a narrativa a Carybé, que ilustrou as páginas datilografadas. 

A bola e o goleiro - 1984

No país do futebol, o escritor baiano resolveu exibir a 'literatura de chuteiras'. Jorge Amado cria uma inusitada história, com personagens não menos característicos: a bola e o goleiro, peças centrais do momento máximo do futebol, o gol. Dessa vez, Jorge Amado conta a história da bola Fura-Redes, a mais disputada por todos os grandes jogadores, e o goleiro Cerca-Frangos, considerado a vergonha da profissão. Após o encontro dos dois, algo inusitado acontece. A bola se apaixona por seu principal inimigo. E apesar de entrar nas traves de todos os outros goleiros, Fura-Redes se recusa a desmoralizar seu amor. A partir disso, a carreira do maior engolidor de frangos da história, Bilô-Bilô, muda da água para o vinho. Finalmente, ele experimenta o doce sabor do sucesso. 

A Ratinha Branca de Pé-de-vento e a Bagagem de Otália - 2009

Pé-de-Vento é apaixonado pela mulata Eró. Como não é dado a galanteios explícitos, decide presentear a amada com sua ratinha branca adestrada. Depois de muito treino, o bichinho responde aos sinais de comando virando de costas e fechando os olhos, à espera de afagos na barriga. Com esse feito extraordinário, o rapaz dá como certo que conquistará o amor de Eró.
Otália, recém-chegada à cidade, aparece no bar de Alonso apenas com a roupa do corpo. Pouco antes, na estação ferroviária, pedira a um homem bem- vestido que cuidasse de sua bagagem enquanto ia ao banheiro. Ao voltar, percebeu que foi roubada. Embora o sumiço da mala a preocupe, sua angústia está centrada em um embrulho de conteúdo misterioso que carregava na bagagem.
"Os Pastores da Noite", de onde foram extraídas essas duas pequenas histórias, foi publicado em 1964 e conta as aventuras e desventuras de um grupo de amigos boêmios, à margem da sociedade, mas que entendem bem o significado da amizade e da alegria descompromissada do cotidiano. Com adaptação de Mariana Amado Costa e ilustrações de Marilda Castanha, "A Ratinha de Pé-de-vento e a Bagagem de Otália" conserva a atmosfera do romance do escritor baiano, reunindo ao mesmo tempo elementos da narrativa infantil, por tratar do sonho, da diversão e da fantasia.


Bem vindos

Com este blog pretendo homenagear meu romancista favorito (um dos focos de meus estudos acadêmicos) e um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos. Jorge Amado toca o coração de seus leitores, dá vida à personagens inesquecíveis e emocionantes e faz da vida uma arte romântica e sensual. 

                                      "SE FOR DE PAZ PODE ENTRAR"